Quebrei a cara.

Semana passada, estava eu sentado com um grupo de amigos assistindo a um programa de entrevistas que abordava assuntos referentes à política do Brasil. No programa, um dos assuntos abordados foi a redução da maioridade penal.

Acontece que eu fui assaltado (sim, de novo…) há cerca de dois meses, de madrugada, no centro de Chapecó. Perdi meu celular e saí com a boca ferida por conta de um soco que levei durante a abordagem. Os dois assaltantes aparentavam ser menores de idade.

Por já ter sido alvo de marginais menores de idade mais de uma vez (e escapado por pouco), esse é um assunto que me interessa bastante, então propus a seguinte questão para meus amigos: “Qual é a opinião de vocês a respeito da redução da maioridade penal?”

Eis um resumo do diálogo que se seguiu:

– Então, cara. Sou contra a redução da maioridade penal. Os crimes cometidos por menores de idade são um problema com raízes muito profundas, e só mandar para a cadeia não resolve esse problema.

– O que resolve, então?

– Precisamos de uma mudança estrutural. Criminalidade infantil resolve-se com educação, não com cadeia.

 Então a solução é fazer um trabalho de base, investir em educação para que os adolescentes não cometam crimes, em vez de puni-los por isso?

– É.

– E quem convenceria o governo a investir mais em educação, então?

– A população, pressionando o Executivo.

– E uma população alienada pressiona o governo pra fazer esse tipo de coisa?

– Não.

– E como faz para “desalienar” a população?

– Investindo em educação.

– Então vivemos num paradoxo Tostines? O governo não investe em educação porque a população não pressiona o governo porque é alienada porque o governo não investe em educação?

– Verdade. Problemão.

– Então podemos dizer que a situação não vai mudar nunca, né? O governo não vai mudar se a população não cobrar, e desse jeito, ninguém nunca vai cobrar mudança.

Isso foi na terça-feira. O que começou a acontecer dois dias depois?

Manifestações no Brasil em 2013.

Isso começou a acontecer.

Quebrei a cara. Que bom.

Cruzando paralelos

Há alguns 400 anos as pessoas eram queimadas em praças públicas, não pensavam sobre a gravidade e não conheciam o twitter.

Em busca de soluções, elas obedeciam os mandamentos de Deus acima de seu bom senso, faziam cosplay hardcore da Carmen Miranda e escreviam livros.

O problema dos livros é que normalmente você não podia sair cagando ideias como adoramos fazer hoje no twitter. Até que um estilo literário foi amplamente popularizado por um cara chamando François de La Rochefoucauld (se você quiser tentar a pronúncia: françoá de la rochefocú).

Nosso querido, que logo depois acabou tornando-se Duque de La Rochefoucauld, escreveu seu mais famoso livro em 1664, chamado Reflexões ou sentenças e máximas morais. No livro ele fazia exatamente o que nós fazemos no twitter: jogava ideias.

Ele publicou várias versões do livro. Se você gosta do Pece Siqueira e quis saber um pouco mais de Nietzsche, inclua nos seus conhecimentos que ele foi altamente influenciado pela obra do Duque. Entre os vários pensamentos, lá estava um que me chamou a anteção ainda mais do que os outros:

“Ainda que seja raro o verdadeiro amor, é no entanto menos raro que a verdadeira amizade.”

Isso me fez pensar um pouquinho no significado de amor. Me voltam à cabeça várias lembranças e ideias que tenho de que eu conheço muitas pessoas que, além de se amar, são excelentes amigos. Mas amar não é mais do que ser amigo? Qual a razão, então, de eu estar traçando um paralelo?

Bom, talvez não seja.

O que eu quero dizer é que pode-se entender o amor como algo não relacionado à amizade. Pessoas são acometidas pelo amor pois o “coração” delas quer. Há várias que dizem que gostariam de controlar o coração. Mas então, amar não é controlável… Há os que clamam que não querem amar mas acabam caindo nas artimanhas do sentimento mais em pauta dos dias de hoje, principalmente das músicas e das conversas de msn.

Acontece, sabemos que acontece. O que, então, seria este sentimento? Algo que não queremos? Mas é algo que gostamos! Mesmo sendo não correspondido, é algo que gostamos de sentir pela pessoa. E o amor que é amor não se vai. O amor normalmente é mais forte do que a pessoa. É sobrehumano!

A amizade, por outro lado, é muito diferente de tudo isso.

Em uma relação de amizade, nós escolhemos quem serão os participantes. Sabemos quem queremos ou não como nossos amigos. A amizade não se cria do nada, se cria de um vínculo. Somos nós, puramente, que definimos como será o comportamento da nossa amizade. Uma amizade não correspondida pode ser terminada em um piscar de olhos pela mente humana.

Refletimos um segundo sobre isso e percebemos que o amor não é mais do que amizade. Amor é outra coisa. É algo que vêm, que acomete a quem for, sem distinção. A amizade já é algo que é criada pelas nossas mentes. Uma relação não necessária na natureza, mas, sim, na nossa sociedade.

O amor é natural. A amizade é humana.

François de La Rochefoucauld

Nerd.

Estamos um blog nerd. Você está lendo um texto de um nerd. Tem vários outros aí pra baixo, escritos por nerds.

Estamos em um mundo nerd, damnit!

E isso é bom.

Foi-se o tempo em que nerd era só pejorativo. Hoje tem gente que leva na boa, tem gente que gosta e tem gente que acha cool.
Então é cool ter um warlock level 70, rir em binário, saber cantar  o tema do Saint Seiya em japonês, querer ter um cavalo chamado Agro ou uma égua chamada Epona, saber que o bolo é uma mentira, ter transtornos obsessivos compulsivos, não falar com ninguém, ter a cor da pele => #FFFFFF, os bíceps tão largos quanto os antebraços e as costas formando um ângulo reto?

Não.

Então foda-se.

Mas calma aê! Ser nerd não significa isso. Ser loser, em grande parte, significa, mas ser nerd, em alguns casos, não significa ser loser. (chequei. tá certinha, a frase.)
Foi com o @rodrigoack que eu aprendi a ser nerd sem ser loser. É meio que coca zero. Alguns dizem que não é coca, mas só porque a latinha não é vermelha, não significa que também não te corroirá os ossos e nem te fará parecer um escroto quando todo mundo pede cerveja e você insiste em pegar aquela merda.
Ok, foi uma comparação estranha.
Mas não deixa de ser válida. Afinal: ser nerd e não ser loser ainda é ser nerd, a diferença é que você vai poder sair e fingir que a atualização do xkcd é irrelevante pra sua vida.

E eu adoro isso.

Tem a galera que não gosta de nerd. Mas também tem a galera que não gosta de Okami, então percebemos que há pessoas que nasceram com opiniões um tantoperturbadoras.

O legal é notar como ultimamente está se tornando muito agradável ser nerd. É poder ter quase toda a vida social de uma pessoa… normal! e ainda ter todos os recursos cerebrais de um nerd. É um Bob’s com coca pequena, mas batata grande. Entenda como quiser.

Chegamos, então, à conclusão de que… Tom Lehrer é foda, sim.

E ninguém precisa de imagens nas postagens.

A volta dos que não foram…

Sempre concordei que precisamos perder as pessoas as coisas para darmos o verdadeiro valor à elas…

Eram aproximadamente 18 horas e 50 minutos, o dia estava agradavel e eu estava tomando uma cerveja mais agravel ainda na companhia agradavel de meus amigos… A luz solar me banhava com seus raios mortais enquanto enquanto as risadas e pensamentos alegres inundavam minha mente…

Meu Nokia e63  estava sob minha perna esquerda, olhei as horas, eram aproximadamente 18 horas e 53 minutos… A vista do segundo andar era interessante, belas moças passeavam com suas garrafas de agua enquanto conversavam com outras belas moças que também tinham garrafas de agua e a altura de uns 12 metros somados com a grade de proteção era propícia para observar as pessoas sem que elas soubessem que estavam sendo observadas…

O copo estava vazio, inclinei-me em minha cadeira para pegar mais… E então em questão de segundos tudo mudou…. Eu senti o peso de meu aparelho de telefone móvel deslizar sob minha perna, escorregar pela grade e ir em direção à aquilo que parecia um abismo para mim. Levantei rapidamente e ainda pude ve-lo em queda livre, minha gritava: “Pare! Volte pra mim!”. Meu braço numa tentativa tosca e involuntaria tenta alcançar o objeto que caía em camera lenta mas afastava-se a 9,8 metros por segundo, onde sem poder fazer nada pude ver e ouvir aquele objeto produzir um barulho apavorante enquanto despedaçava-se…

A capa de silicone estava de um lado, seu corpo de outro, a bateria ainda residia em seu lugar, suas costas e o chip extra estavam a metros dalí…

Desci rapidamente as escadas… “lembretes! mensagens! fotos! ligações! numeros! o display quebrou? foi algo pior? quanto custa? perdi meu celular? terei de comprar um novo? dinheiro? perdi tudo! tudo! nããããooooooo!!!!”

Abri a porta… Caminhei até ele… Sua face estava para baixo como quem pula de uma janela e cai de peito no chão… Peguei-o com as mãos trêmulas..  A tela estava escura… Apertei um botão aleatório, e a tela me mostrou alegremente… Eram 18:55 e eu nao estava atrasado, nem ficaria sem ele… Uma pequena cicatriz, mas nada de mais… Voltei para meu assento e abri outra cerveja… A bebida estava mais gelada… Os amigos mais engraçados e o sol voltara a brilhar…

Casas novas, pessoas velhas…

Neste mundo, já num primeiro olhar percebe-se que algo está fora de lugar. Não se veem casas nos vales ou nas baixadas. Todos moram nas montanhas.

Em algum momento do passado, cientistas descobriram que o tempo flui mais lentamente nos pontos mais distantes do centro da Terra. O efeito é minúsculo, mas pode ser medido por instrumentos extremamente sensíveis. Assim que o fenômeno foi constatado, algumas pessoas, desejosas de permanecerem jovens, mudaram-se para as montanhas. Agora, todas as casas são construídas no Dom, no Matterhorn, no monte Rosa e em outros pontos elevados. É impossível vender residências em outros locais.

Muitos não se satisfazem apenas situando suas moradias em um amontanha. Para obter efeito máximo, constroem suas casas sobre colunas. Os topos das montanhas do mundo inteiro estão cobertos por casas desse tipo, que à distancia parecem um bando de pássaros gordos apoiados sobre pernas longas e magras. As pessoas que desejam viver mais construíram suas casas sobre as colunas mais altas. Com efeito, algumas casas estão a meia milha de altura, equilibrando0se sobre suas espigadas pernas de madeira. Altitude passou a ser sinal de status. Quando uma pessoa, da janela de sua cozinha, precisa olhar para cima para ver um vizinho, ela tem a certeza de que aquele vizinho não ficará com as juntas enferrujadas tão cedo quanto ela, que desmoronará a perder os cabelos, não terá rugas ainda por muito tempo, não perderá o ímpeto romântico tão cedo. Da mesma maneira, uma pessoa que olha para baixo para ver outra casa tende a julgar seus ocupantes gastos, fracos e míopes. Alguns se gabam de ter passado a vida inteira nas alturas, de ter nascido na casa mais alta do mais alto pico e de nunca ter descido. Celebram sua juventude diante do espelho e caminham nus em seus terraços.

As vezes algum negócio urgente obriga as pessoas a descerem de suas casas, e elas o fazem apressadamente, correndo aflitas pelas escadas altas até o chão, depois até uma outra escada ou até o vale. Concluem os seus afazeres e voltam o mais rápido que podem para suas casas ou para outros lugares altos. Elas sabem que a cada degrau que descem o tempo passa mais rápido e elas envelhecem mais rapidamente. No chão, as pessoas nunca param. Elas correm, carregando suas pastas e sacos de compras.

Um pequeno numero de residentes em cada cidade parou de se preocupar se envelhece alguns segundos mais rápido que seus vizinhos. Essas almas aventureiras costumam descer para o mundo de baixo e ali permanecem por dias, nadam prazeroxasamente nos lagos localizados em altitudes onde as temperaturas são mais amenas, rolam no chão. Quase nunca olham para seus relógios e mal podem dizer se é segunda ou quinta-feira. Quando os outros passam por elas e zombam, apenas sorriem.

Com o passar do tempo, as pessoas esqueceram por que razão mais alto é melhor. Mesmo assim continuam vivendo nas montanhas, evitando baixadas ao máximo, ensinando seus filhos a se afastarem de crianças de locais de baixa altitude. Elas valorizam o frio das montanhas como hábito e valorizam o desconforto como positivo para a educação. Elas até se convenceram que o ar rarefeito é bom para seus corpos e, seguindo esta logica, adotaram dietas especiais comendo apenas alimentos leves. Os anos se passaram e a população acabou ficando tão leve quanto o ar, com os ossos protuberantes, envelhecida antes do tempo…”

Não meus queridos pupilos eu sei que vocês estão surpresos, não fui eu que escrevi este texto … Trata-se de um capitulo do livro “Sonhos de Einstein” de Alan Lightman, recomendadíssimo por mim (como se eu tivesse alguma moral para falar de livros e recomendá-los aos outros) e que certamente é uma boa leitura de bolso para ocupar-se nas horas vagas ao invés de ficar vendo pornografia e usando o twitter… Neste livro Alan Lightman retrata alguns dos fictícios sonhos de Albert Einstein trazendo relações com sua vida pessoal e suas teorias, de uma maneira poética que eu ainda não havia visto. Uma leitura leve e também divertida… Procurem um resumo! Leiam!

Este post também marcará o fim do horário de verão! uma mudança no meio como pipocar posts por aqui… Deixarei de postar coisas de autoria EXCLUSIVA minha e passarei a trazer coisas de outros locais que acredito vocês possam apreciar… Afinal, não disponho de tanta criatividade… Mas prometo não transformar isso aqui num deposito de memes da internet, ok? (se eu começar a fazer isso, me xinguem, por favor)…

Por hoje é isto, fica a dica de segunda feira, boa noite a todos e voltem sempre!