A volta dos que não foram…

Sempre concordei que precisamos perder as pessoas as coisas para darmos o verdadeiro valor à elas…

Eram aproximadamente 18 horas e 50 minutos, o dia estava agradavel e eu estava tomando uma cerveja mais agravel ainda na companhia agradavel de meus amigos… A luz solar me banhava com seus raios mortais enquanto enquanto as risadas e pensamentos alegres inundavam minha mente…

Meu Nokia e63  estava sob minha perna esquerda, olhei as horas, eram aproximadamente 18 horas e 53 minutos… A vista do segundo andar era interessante, belas moças passeavam com suas garrafas de agua enquanto conversavam com outras belas moças que também tinham garrafas de agua e a altura de uns 12 metros somados com a grade de proteção era propícia para observar as pessoas sem que elas soubessem que estavam sendo observadas…

O copo estava vazio, inclinei-me em minha cadeira para pegar mais… E então em questão de segundos tudo mudou…. Eu senti o peso de meu aparelho de telefone móvel deslizar sob minha perna, escorregar pela grade e ir em direção à aquilo que parecia um abismo para mim. Levantei rapidamente e ainda pude ve-lo em queda livre, minha gritava: “Pare! Volte pra mim!”. Meu braço numa tentativa tosca e involuntaria tenta alcançar o objeto que caía em camera lenta mas afastava-se a 9,8 metros por segundo, onde sem poder fazer nada pude ver e ouvir aquele objeto produzir um barulho apavorante enquanto despedaçava-se…

A capa de silicone estava de um lado, seu corpo de outro, a bateria ainda residia em seu lugar, suas costas e o chip extra estavam a metros dalí…

Desci rapidamente as escadas… “lembretes! mensagens! fotos! ligações! numeros! o display quebrou? foi algo pior? quanto custa? perdi meu celular? terei de comprar um novo? dinheiro? perdi tudo! tudo! nããããooooooo!!!!”

Abri a porta… Caminhei até ele… Sua face estava para baixo como quem pula de uma janela e cai de peito no chão… Peguei-o com as mãos trêmulas..  A tela estava escura… Apertei um botão aleatório, e a tela me mostrou alegremente… Eram 18:55 e eu nao estava atrasado, nem ficaria sem ele… Uma pequena cicatriz, mas nada de mais… Voltei para meu assento e abri outra cerveja… A bebida estava mais gelada… Os amigos mais engraçados e o sol voltara a brilhar…

O tocador de plateias #tediodominical

Sim sim sim, chegamos a nossa terceira edição do #tediodominical para você que gastou todo o seu dinheiro em tequila e dançarinas de pole dance e ainda não descobriu de quem é a poça de vomito que tem na entrada do condominio….

Nesta edição trazemos para você mais três minutos e quatro segundos de entretenimento com um interessante exemplo da capacidade cerebral e dedutiva da maioria dos seres humanos….

Alguns tocam violão, alguns tocam bateria e outros tocam… platéias !

Com vocês Bobby McFerrin…

Não existe anormal…

Estava eu caminhando pelas ruas Chapecoenses num horário relativamente populoso assim digamos, de modo que era necessário administrar parte da minha atenção para que eu não esbarrasse em alguma mulher gostosa velhinha indefesa, porém com o que me restava da minha capacidade mental e do meu campo de visão parei para observar algo que espero que alguns de vocês leitores já tenham percebido, tribos de pessoas…

Claro, esta tecla já esta batida… Principalmente no quesito preconceitual que temos… “Ah, olha aquele cara cabeludo! Nossa!” “Minha nossa! Essa juventude só se veste de preto, parecem uns corvos drogados!” “O que esses moleques tem na cabeça? Todos coloridos” “Mas que esse velho caindo aos pedaços está fazendo bêbado numa quarta feira a tarde?” “Vejam só… Um cara de terno num show de rock…”

O que eu quero dizer com isso, é que vocês já perceberam como as coisas estão se tornando facilmente aceitáveis? Antes qualquer coisa anormal era punida de diversas maneiras, desde chacota até morte… Hoje, é simplesmente uma nova moda, um novo costume, é normal…. São punks que tomam chá com donas de casa ao som de funk… Todas as décadas passadas estão fundidas no presente, todos os gostos, costumes, crimes e ideias….

Ao meu ver, não existe mais anormal….