Cruzando paralelos

Há alguns 400 anos as pessoas eram queimadas em praças públicas, não pensavam sobre a gravidade e não conheciam o twitter.

Em busca de soluções, elas obedeciam os mandamentos de Deus acima de seu bom senso, faziam cosplay hardcore da Carmen Miranda e escreviam livros.

O problema dos livros é que normalmente você não podia sair cagando ideias como adoramos fazer hoje no twitter. Até que um estilo literário foi amplamente popularizado por um cara chamando François de La Rochefoucauld (se você quiser tentar a pronúncia: françoá de la rochefocú).

Nosso querido, que logo depois acabou tornando-se Duque de La Rochefoucauld, escreveu seu mais famoso livro em 1664, chamado Reflexões ou sentenças e máximas morais. No livro ele fazia exatamente o que nós fazemos no twitter: jogava ideias.

Ele publicou várias versões do livro. Se você gosta do Pece Siqueira e quis saber um pouco mais de Nietzsche, inclua nos seus conhecimentos que ele foi altamente influenciado pela obra do Duque. Entre os vários pensamentos, lá estava um que me chamou a anteção ainda mais do que os outros:

“Ainda que seja raro o verdadeiro amor, é no entanto menos raro que a verdadeira amizade.”

Isso me fez pensar um pouquinho no significado de amor. Me voltam à cabeça várias lembranças e ideias que tenho de que eu conheço muitas pessoas que, além de se amar, são excelentes amigos. Mas amar não é mais do que ser amigo? Qual a razão, então, de eu estar traçando um paralelo?

Bom, talvez não seja.

O que eu quero dizer é que pode-se entender o amor como algo não relacionado à amizade. Pessoas são acometidas pelo amor pois o “coração” delas quer. Há várias que dizem que gostariam de controlar o coração. Mas então, amar não é controlável… Há os que clamam que não querem amar mas acabam caindo nas artimanhas do sentimento mais em pauta dos dias de hoje, principalmente das músicas e das conversas de msn.

Acontece, sabemos que acontece. O que, então, seria este sentimento? Algo que não queremos? Mas é algo que gostamos! Mesmo sendo não correspondido, é algo que gostamos de sentir pela pessoa. E o amor que é amor não se vai. O amor normalmente é mais forte do que a pessoa. É sobrehumano!

A amizade, por outro lado, é muito diferente de tudo isso.

Em uma relação de amizade, nós escolhemos quem serão os participantes. Sabemos quem queremos ou não como nossos amigos. A amizade não se cria do nada, se cria de um vínculo. Somos nós, puramente, que definimos como será o comportamento da nossa amizade. Uma amizade não correspondida pode ser terminada em um piscar de olhos pela mente humana.

Refletimos um segundo sobre isso e percebemos que o amor não é mais do que amizade. Amor é outra coisa. É algo que vêm, que acomete a quem for, sem distinção. A amizade já é algo que é criada pelas nossas mentes. Uma relação não necessária na natureza, mas, sim, na nossa sociedade.

O amor é natural. A amizade é humana.

François de La Rochefoucauld

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